Embora ao longo dos séculos, observações esporádicas relacionarem a obesidade com risco de morte súbita e precoce, para muitas pessoas, inclusive médicos, o excesso de peso representava apenas um problema de ordem puramente estética e era, até recentemente, pouco valorizado como um problema de saúde.
Entretanto, nos últimos vinte anos, uma enorme quantidade de estudos e observações estatÃsticas tem comprovado que a obesidade é uma doença grave, que determina um risco acentuado para o desenvolvimento de várias outras doenças, causando risco de morte precoce e reduzindo a expectativa e a qualidade de vida dos indivÃduos afetados.
Além da sua gravidade, a obesidade vem apresentando um aumento assustador na sua incidência. Dados estatÃsticos comprovam que entre 1974 e 1997, no Brasil, a obesidade aumentou de 2,5% para 7% entre os homens acima de 20 anos de idade e entre as mulheres o aumento foi de 7% para 13%. Nos Estados Unidos, atualmente, estima-se que 30% da população adulta esteja obesa, e a doença vem, cada vez mais, afetando crianças e adolescentes, o que representa uma expectativa assustadora para a humanidade nos próximos 25 anos.
Devido a isto, a Organização Mundial de Saúde está considerando a obesidade uma doença crônica, e alertando aos Serviços de Saúde de todos os paises no sentido de elaborarem estratégias para conter o avanço desta verdadeira epidemia.
Visando avaliar o impacto da obesidade numa população de indivÃduos que são acompanhados no Ambulatório de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do HUCAM, analisamos a incidência de diabetes, hipertensão arterial , dislipidemia e SÃndrome metabólica em 249 pacientes portadores de obesidade mórbida - IMC > 40 kg/m2 cadastrados no Serviço. Deste total, cerca de 206 indivÃduos eram do sexo feminino (82,7%) e 43 eram do sexo masculino (17,3%) sendo que 162 tinham IMC entre 40 e 50 e 87 pessoas tinham IMC acima de 50, os assim chamados super-obesos.
Desses doentes, 87,8% apresentavam hipertensão arterial sistêmica; 73,8% sÃndrome metabólica; 57,1% dislipidemia; 23,4% diabetes mellitus tipo II.
Baseado na análise da amostra estudada, observamos que a obesidade determina uma prevalência elevada de fatores de risco relacionados à doença cardÃaca. Estes fatores são independentes do sexo dos indivÃduos, e afetam pessoas numa faixa de idade baixa – a média de idade da população analisada é de 37 ± 12 anos - .
Conclui-se, portanto que a obesidade é uma doença grave, que encerra risco de mortalidade elevada e precoce. Assim, é uma doença que deve ser tratada de forma agressiva, pois sabemos que a perda de peso é a única forma de reverter este quadro e proporcionar um aumento na qualidade e na duração da vida dos indivÃduos afetados.
Texto escrito por:
Dr. Perseu S. Carvalho
Prof. Adjunto do Departamento de ClÃnica Médica da U.F.E.S.
Coordenador do Ambulatório de Obesidade
Endocrinologista da Equipe de Cirurgia Bariátrica
(27) 3325-2385/3346-2010